Blog Cultura Organizacional

Risco psicossocial não se resolve apenas com um laudo.

Adriano J. Goerk

Nos últimos dias, trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma para avaliação de riscos psicossociais, algo começou a me chamar bastante atenção.

Quando falamos em saúde mental no trabalho, é natural pensarmos primeiro na pessoa: ansiedade, exaustão, estresse, irritabilidade, dificuldade para dormir, burnout.

Mas existe uma pergunta anterior que talvez seja ainda mais importante:

O que, na forma como a empresa organiza o trabalho, pode estar contribuindo para isso?

  • Carga mal distribuída.
  • Baixa autonomia.
  • Decisões excessivamente centralizadas.
  • Falta de clareza sobre responsabilidades.
  • Processos confusos.
  • Retrabalho.
  • Comunicação deficiente.
  • Excesso de aprovações.
  • Atividades que exigem atenção constante sem mecanismos adequados de apoio.

Tudo isso pode fazer parte dos chamados fatores de risco relacionados à Gestão Organizacional.

E aqui está uma reflexão importante:

identificar o risco é apenas o começo.

Se uma avaliação aponta um problema relacionado à autonomia, por exemplo, não basta escrever no relatório:

“Recomenda-se ampliar a influência dos colaboradores sobre suas atividades.”

A empresa precisa descobrir onde essa falta de autonomia acontece.

  1. Em qual setor?
  2. Em qual atividade?
  3. Em qual processo?
  4. Quem concentra as decisões?
  5. Quais aprovações poderiam ser eliminadas?
  6. O que poderia ser padronizado?
  7. O que poderia ser automatizado?

É nesse ponto que gestão de processos, saúde organizacional e Inteligência Artificial começam a se encontrar.

Imagine uma IA capaz de partir de um risco identificado e ajudar a empresa a investigar suas possíveis causas, mapear o processo relacionado, encontrar gargalos, sugerir melhorias e transformar tudo isso em um plano de ação.

Algo como:

Risco → Fator → Causa → Processo → Intervenção → Responsável → Evidência → Reavaliação.

A IA não substituiria o psicólogo, o profissional de SST, o RH ou o gestor.

Ela poderia conectar o diagnóstico à execução.

E existe uma diferença enorme entre uma empresa saber que possui determinado risco e conseguir demonstrar:

“Identificamos. Investigamos. Intervimos. Acompanhamos. Reavaliamos.”

É justamente nessa direção que tenho trabalhado ao conectar algumas das tecnologias que desenvolvemos.

De um lado, a avaliação e inteligência sobre riscos psicossociais.

Do outro, nossa experiência com IA, gestão e mapeamento de processos.

Porque talvez uma das aplicações mais interessantes da Inteligência Artificial nas empresas não seja simplesmente produzir mais.

Talvez seja nos ajudar a entender como estamos trabalhando, encontrar aquilo que precisa mudar e construir organizações mais eficientes e, principalmente, mais saudáveis.

Tecnologia não deveria apenas acelerar processos ruins.

Deveria nos ajudar a construir processos melhores.

Adriano Goerk

Sobre mim

Adriano Goerk

Consultor · Palestrante · Autor

Sou Adriano Goerk, consultor de marketing, palestrante e autor do Rio Grande do Sul. Ajudo empresas e líderes a crescer com estratégia, relacionamento humano e inovação, Criador do Modelo IMPAR, método LEAD e Autor do livro Humaniza AI.