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Como implementar Inteligência Artificial na empresa: por onde começar?

Adriano J. Goerk

A dúvida de muitas empresas já não é mais se devem utilizar Inteligência Artificial.

A pergunta agora é outra:

Onde devemos implementar Inteligência Artificial primeiro?

Com tantas ferramentas, agentes, automações e soluções surgindo todos os dias, é fácil cometer um erro: começar pela tecnologia.

Assinar uma plataforma. Contratar um chatbot. Automatizar uma tarefa. Colocar o ChatGPT na mão da equipe.

Mas implementar IA de verdade dentro de uma empresa exige uma pergunta anterior:

Qual problema estamos tentando resolver?

Porque uma empresa não precisa necessariamente de mais Inteligência Artificial.

Ela precisa vender melhor, atender melhor, reduzir retrabalho, ganhar produtividade, organizar informações e tomar decisões melhores.

A IA é o meio.

O resultado precisa ser o objetivo.

Onde aplicar Inteligência Artificial na empresa?

Não existe um único setor que deva receber IA primeiro em todas as empresas, para algumas organizações, a maior oportunidade estará no comercial, para outras, no atendimento.

Em algumas empresas, o grande gargalo está na operação, em outras, marketing, financeiro, gestão, produção ou conhecimento interno podem representar oportunidades muito maiores.

Por isso, a pergunta correta não deveria ser:

“Qual departamento deve receber IA primeiro?”

Mas:

“Qual processo da minha empresa apresenta a melhor combinação entre problema, volume, repetição, dados disponíveis e potencial de resultado?”

É essa análise que permite priorizar corretamente.

7 critérios para descobrir quais processos podem utilizar IA

Antes de automatizar qualquer atividade, alguns fatores precisam ser analisados.

1. Repetitividade

Quantas vezes a equipe executa uma atividade parecida?

Quanto maior a repetição, maior tende a ser o potencial de automação.

Responder constantemente às mesmas perguntas, classificar documentos, produzir relatórios ou adaptar conteúdos são exemplos de atividades recorrentes.

2. Volume

Uma tarefa pode ser simples, mas acontecer centenas ou milhares de vezes por mês.

Quando isso acontece, pequenos ganhos de produtividade podem produzir um impacto relevante na operação.

Automatizar uma tarefa que acontece duas vezes por ano provavelmente terá menos impacto do que melhorar algo executado 500 vezes todos os meses.

3. Padronização

O processo possui um padrão?

Existem regras?

Existe uma sequência relativamente previsível?

Quanto mais estruturado for o processo, mais fácil será automatizar parte dele.

Mas isso não significa que apenas processos completamente padronizados possam usar IA.

É justamente em tarefas que envolvem interpretação de textos, imagens, documentos ou linguagem natural que a Inteligência Artificial pode complementar a automação tradicional.

4. Dados disponíveis

A empresa possui informações suficientes para alimentar a solução?

Podem ser:

  • históricos de atendimento;
  • propostas comerciais;
  • documentos;
  • contratos;
  • dados de CRM;
  • manuais;
  • planilhas;
  • conversas;
  • indicadores;
  • imagens;
  • gravações;
  • informações sobre produtos e clientes.

Uma IA sem contexto pode gerar respostas.

Uma IA conectada ao conhecimento correto da empresa pode gerar inteligência de negócio.

5. Necessidade de julgamento humano

Nem toda tarefa deve ser entregue integralmente para uma máquina.

Algumas decisões exigem experiência, sensibilidade, negociação ou responsabilidade humana.

Nesses casos, talvez o melhor modelo não seja substituir a pessoa.

Pode ser criar um copiloto.

A Inteligência Artificial analisa, organiza, recomenda ou prepara o trabalho.

O profissional continua responsável pela decisão.

6. Risco de erro

Qual seria a consequência caso a IA errasse?

Errar uma sugestão de título para uma postagem possui uma consequência.

Errar uma informação financeira, jurídica, médica ou uma decisão crítica possui outra completamente diferente.

Quanto maior o risco, maior precisa ser o nível de controle, validação e participação humana.

7. Impacto financeiro

Por último, existe uma pergunta fundamental:

Se melhorarmos esse processo, qual impacto isso gera para a empresa?

Pode representar:

  • horas economizadas;
  • redução de retrabalho;
  • diminuição de custos;
  • aumento da conversão;
  • melhoria do atendimento;
  • redução de perdas;
  • aumento da capacidade operacional;
  • melhor aproveitamento da equipe.

É aqui que a Inteligência Artificial deixa de ser uma curiosidade tecnológica e passa a ser um investimento empresarial.

Automação e Inteligência Artificial não são a mesma coisa

Esse é um ponto importante.

Nem todo processo automatizável precisa de Inteligência Artificial.

Imagine a seguinte regra:

Quando uma venda for concluída no CRM, criar automaticamente uma tarefa para a equipe operacional.

Isso pode ser resolvido por uma automação tradicional.

Agora imagine:

Ler a conversa realizada pelo vendedor, entender o problema do cliente, identificar o produto mais adequado, resumir as necessidades e preparar uma proposta personalizada.

Aqui existe interpretação.

Nesse cenário, a Inteligência Artificial passa a fazer muito mais sentido.

Por isso, dentro de uma empresa, devemos separar três movimentos.

Digitalizar

Transformar informações físicas ou dispersas em dados estruturados.

Automatizar

Executar tarefas previsíveis automaticamente por meio de regras.

Inteligentizar

Utilizar Inteligência Artificial para interpretar, classificar, gerar, recomendar, analisar ou apoiar decisões.

Uma boa estratégia empresarial pode utilizar os três.

O erro está em utilizar IA onde uma simples automação resolveria, ou tentar automatizar um processo que sequer foi organizado.

Em quais áreas da empresa a IA pode ser utilizada?

Embora a prioridade dependa de cada negócio, existem aplicações frequentes em diversas áreas.

Inteligência Artificial no comercial

A IA pode auxiliar em:

  • qualificação de leads;
  • análise de oportunidades;
  • preparação de propostas;
  • pesquisa sobre prospects;
  • follow-up;
  • resumo de reuniões;
  • atualização de CRM;
  • análise de objeções;
  • inteligência comercial.

Imagine um vendedor começando uma reunião já sabendo quem é a empresa, seu mercado, possíveis dores e histórico de relacionamento.

A IA deixa de substituir o vendedor e começa a aumentar sua capacidade.

Inteligência Artificial no atendimento

É possível utilizar IA para:

  • responder dúvidas recorrentes;
  • classificar solicitações;
  • consultar bases de conhecimento;
  • resumir atendimentos;
  • identificar urgências;
  • encaminhar chamados;
  • sugerir respostas aos atendentes.

Dependendo do risco e da complexidade, a IA pode atuar autonomamente ou como copiloto da equipe.

Inteligência Artificial no marketing

Marketing provavelmente é uma das áreas em que a IA já está mais presente.

Mas seu uso vai muito além de pedir uma legenda ao ChatGPT.

Ela pode colaborar com:

  • planejamento de conteúdo;
  • copywriting;
  • desdobramento de campanhas;
  • análise de concorrentes;
  • pesquisa;
  • criação de imagens;
  • personalização de comunicação;
  • análise de dados;
  • agrupamento de públicos;
  • inteligência sobre campanhas.

Inteligência Artificial na operação

Muitas vezes é aqui que estão algumas das maiores oportunidades.

É possível analisar:

  • atividades repetitivas;
  • passagem de informações entre departamentos;
  • preenchimento manual;
  • conferência de documentos;
  • criação de relatórios;
  • organização de demandas;
  • acompanhamento de processos;
  • recuperação de informações.

Pequenos gargalos repetidos centenas de vezes podem consumir uma quantidade enorme de horas ao longo do ano.

Inteligência Artificial na gestão

A IA também pode apoiar líderes na interpretação de informações.

Por exemplo:

  • analisar indicadores;
  • resumir dados;
  • identificar desvios;
  • detectar padrões;
  • comparar períodos;
  • consolidar informações;
  • gerar alertas;
  • apoiar cenários de decisão.

Nesse caso, o objetivo não é deixar uma IA comandar a empresa.

É permitir que o gestor tenha mais informação útil disponível no momento de decidir.

Qual processo devo automatizar primeiro?

Uma forma simples de priorização é observar quatro grupos.

Alto impacto + fácil implementação

Faça primeiro.

São os quick wins.

Podem gerar resultado rapidamente e ajudam a empresa a aprender como implementar IA.

Alto impacto + implementação complexa

Planeje.

São projetos importantes, mas podem exigir dados, integrações ou mudanças de processos antes.

Baixo impacto + fácil implementação

Avalie.

Podem ser interessantes, mas não deveriam consumir a energia dos projetos estratégicos.

Baixo impacto + alta complexidade

Não faça agora.

Esse talvez seja um dos aprendizados mais importantes para empresas que estão entrando na Inteligência Artificial.

Saber onde não utilizar IA também é estratégia.

Um exemplo prático

Imagine uma empresa cuja equipe produz 200 propostas comerciais por mês.

Cada proposta exige:

  • localizar informações no CRM;
  • entender as necessidades do cliente;
  • encontrar produtos adequados;
  • copiar dados;
  • escrever uma apresentação;
  • revisar valores;
  • montar o documento.

Talvez não faça sentido automatizar 100% desse processo.

Mas uma IA poderia:

  1. consultar automaticamente os dados do CRM;
  2. resumir o histórico da oportunidade;
  3. identificar necessidades do cliente;
  4. selecionar informações relevantes;
  5. gerar o primeiro rascunho da proposta;
  6. entregar o documento para validação do vendedor.

Nesse caso, a estratégia não seria:

“substituir o comercial por IA.”

Seria:

“tirar do comercial aquilo que não precisa consumir o tempo do comercial.”

Essa diferença é fundamental.

Antes de implementar IA, mapeie seus processos

Existe uma frase que resume grande parte do problema:

automatizar um processo ruim não transforma esse processo em um processo bom.

Em alguns casos, apenas faz a empresa executar a ineficiência mais rapidamente.

Por isso, antes de selecionar ferramentas, modelos ou agentes de IA, é importante entender:

  • quais são os processos da empresa;
  • onde existem gargalos;
  • onde existe retrabalho;
  • quais atividades dependem demais de pessoas específicas;
  • onde informações estão dispersas;
  • quais tarefas consomem mais horas;
  • onde oportunidades estão sendo perdidas;
  • quais dados estão disponíveis.

Somente depois disso devemos perguntar:

qual tecnologia resolve melhor cada problema?

Essa ordem muda completamente a qualidade da implementação.

Como começar a implementar Inteligência Artificial na empresa?

Uma estratégia prática pode seguir quatro etapas.

1. Mapear

Entenda processos, gargalos, dados e atividades.

2. Priorizar

Descubra onde existe maior combinação entre impacto e viabilidade.

3. Implementar

Comece com projetos menores, valide e aprenda.

4. Medir

Compare o antes e o depois.

Quantas horas foram economizadas?

Quanto retrabalho diminuiu?

A conversão melhorou?

A capacidade da equipe aumentou?

O atendimento ficou mais rápido?

Se você não mede o resultado, corre o risco de possuir uma implementação tecnologicamente interessante que não gera impacto real para o negócio.

Por onde começar com IA na minha empresa?

Foi justamente para responder essa pergunta que criamos o Doo Blueprint AI.

O Blueprint não começa perguntando qual ferramenta você quer utilizar.

Ele começa tentando entender sua empresa.

A partir do diagnóstico, analisamos diferentes dimensões do negócio e buscamos identificar:

onde existem gargalos, quais processos possuem potencial de automação, quais são adequados para Inteligência Artificial e o que precisa ser estruturado antes.

O objetivo é transformar a pergunta:

“Como posso usar IA na minha empresa?”

em perguntas muito mais úteis:

Onde devo usar IA primeiro?
Quanto desse processo pode ser automatizado?
Onde preciso manter pessoas?
Quais dados preciso organizar antes?
Qual projeto possui maior potencial de resultado?
O que eu não deveria implementar agora?

Esse é o princípio do Blueprint:

Mapear. Priorizar. Implementar. Medir.

Descubra onde aplicar Inteligência Artificial na sua empresa

Se sua empresa quer implementar Inteligência Artificial, mas ainda não sabe exatamente por onde começar, o primeiro passo pode não ser comprar uma ferramenta.

Pode ser entender melhor sua própria operação.

O Doo Blueprint AI realiza um diagnóstico inicial para identificar oportunidades de melhoria, automação e aplicação de Inteligência Artificial dentro da empresa.

Faça o diagnóstico inicial gratuitamente:

https://doostudio.com.br/blueprint/

Perguntas frequentes sobre Inteligência Artificial nas empresas

Qual setor da empresa deve implementar Inteligência Artificial primeiro?

Não existe uma área única para todas as empresas. O ideal é priorizar o processo com maior impacto potencial, volume, repetitividade e viabilidade de implementação. Comercial, atendimento, marketing e operação costumam apresentar diversas oportunidades, mas a decisão deve partir do diagnóstico da empresa.

Como saber se um processo pode ser automatizado com IA?

Analise repetitividade, volume, padronização, dados disponíveis, necessidade de julgamento humano, risco de erro e impacto esperado. Quanto melhor essa combinação, maior tende a ser a oportunidade.

Preciso organizar meus processos antes de implementar IA?

Nem sempre tudo precisa estar completamente organizado, mas processos extremamente desestruturados dificultam automações confiáveis. Em alguns casos, organizar dados e etapas é justamente a primeira fase do projeto.

Toda automação precisa de Inteligência Artificial?

Não. Muitas atividades podem ser resolvidas com automações baseadas em regras. A Inteligência Artificial é especialmente útil quando existe necessidade de interpretar, classificar, gerar, recomendar ou analisar informações.

Pequenas empresas podem implementar Inteligência Artificial?

Sim. O tamanho da empresa não determina sozinho a viabilidade. O mais importante é selecionar um problema específico, definir o resultado esperado e começar com um projeto proporcional à realidade do negócio.

Como medir o retorno de um projeto de IA?

Defina um indicador antes da implementação. Pode ser tempo gasto, custo por tarefa, taxa de conversão, velocidade de atendimento, retrabalho, volume processado ou outro indicador diretamente ligado ao problema que está sendo resolvido.

Adriano Goerk

Sobre mim

Adriano Goerk

Consultor · Palestrante · Autor

Sou Adriano Goerk, consultor de marketing, palestrante e autor do Rio Grande do Sul. Ajudo empresas e líderes a crescer com estratégia, relacionamento humano e inovação, Criador do Modelo IMPAR, método LEAD e Autor do livro Humaniza AI.